Em resposta a um artigo que escrevi no jornal “O Benfica”, onde chamava a atenção para o facto de Luís Filipe Vieira, ao contrário do que possa parecer aos mais desatentos, figurar já entre os presidentes que mais conquistas desportivas alcançaram para o clube, Alberto Miguéns, benfiquista que muito prezo, apresentou no
seu blogue um texto onde, com critérios diferentes, chegava a números, também eles, ligeiramente diferentes, procurando depois, a partir deles, extrair outras conclusões.
O critério que segui foi simples: verifiquei as datas de entrada e saída de cada presidente no site oficial do clube, conferi quem estava em funções a cada mês de Maio (fim dos campeonatos), e assim segmentei os títulos ganhos pelo Benfica.
Os números a que cheguei são os que se seguem:
BORGES COUTINHO 7 títulos (1969, 1971, 1972, 1973, 1975, 1976 e 1977)
JOÃO SANTOS 3 títulos (1987, 1989 e 1991)
ADOLFO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1964, 1965 e 1968)
MAURICIO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1957, 1960 e 1961)
LUÍS FILIPE VIEIRA 2 títulos (2005 e 2010)
Há mais quatro presidentes do Benfica com dois títulos conquistados, mas Luís Filipe Vieira é o único que ainda pode melhorar a sua conta, pelo que será lícito destacá-lo aqui em 5º lugar.
O que eu disse no artigo do jornal foi basicamente que, com mais um campeonato ganho (que bem poderia ter sido este…), o actual presidente do Benfica ficaria apenas com Borges Coutinho à sua frente. E lembrei também que, a par de João Santos, era ele o único a conseguir títulos europeus em duas modalidades distintas (este em Hóquei e Futsal, aquele em Hóquei e Atletismo), e juntamente com o mesmo João Santos e com Borges Coutinho, os únicos a vencer campeonatos de sete modalidades diferentes (Vieira já foi campeão absoluto de Futebol, Andebol, Basquetebol, Voleibol, Futsal, Atletismo e Judo).
Alberto Miguéns considera que os títulos devam ser atribuídos, não aquando da última jornada, mas aquando da jornada da conquista matemática do título. É um critério respeitável (embora dê bastante mais trabalho…), que permite retirar um título a Borges Coutinho e outro a Maurício Vieira de Brito, adicionando-os a Adolfo Vieira de Brito e a Joaquim Ferreira Bogalho. Não é isso que ele pretende demonstrar, mas o certo é que, por este critério, Luís Filipe Vieira seria, não um dos quintos, mas um dos quartos presidentes com mais campeonatos de futebol ganhos na história do Benfica - teria então à sua frente apenas Borges Coutinho, Adolfo Vieira de Brito e João Santos, por esta ordem, como mais triunfadores. Em suma, o seu diferente critério não traria conclusões muito diferentes do sentido geral daquelas que eu tirei.
Mas o meu amigo Alberto Miguéns defende também que esta é uma estatística que não resulta rigorosa quanto ao mérito de cada um em cada título. Não podia estar mais de acordo com ele, e digo desde já que, da minha parte, não estou em condições para avaliar os méritos de cada presidente do Benfica de 1977 para trás, coisa que só ele, com todo o imenso conhecimento que tem da história do Benfica, poderá fazer. O balanço que fiz apenas pretendia desmistificar a ideia de que Luís Filipe Vieira é um presidente perdedor, pois no balanço global ganhou mais do que muitos outros.
Também concordo em absoluto com ele quando diz que os títulos não são dos presidentes. De facto não são. São do Benfica e dos benfiquistas. Mas um mau presidente não conquista títulos, e infelizmente, o Benfica já teve exemplos disso.
Alberto Miguéns termina dizendo que Luís Filipe Vieira foi o presidente que perdeu mais campeonatos. Não contesto os seus números, nem me darei ao trabalho de fazer as contas. Mas, se os méritos dos que ganham são por vezes condicionados por circunstâncias diferentes, os que perdem também têm atenuantes diferentes. E todos nos lembramos em que Benfica pegou Vieira. De resto, pelas mesmas contas, Fernando Martins perdeu tantos campeonatos como Vale e Azevedo, e os serviços prestados por um e por outro ao Benfica não têm ponta por onde comparar.
Uma coisa é certa. Nos dois campeonatos que ganhou, o mérito de Vieira (e naturalmente de jogadores e técnicos que ele escolheu) é inegável.
Por fim, Alberto Miguéns termina afirmando que “não devemos ser mais papistas que o papa”. Ora, defender um presidente em funções não é sinónimo de “ser mais papista que o papa”, nem de “lambe-botismo”. Como cada um é livre de criticar o presidente, eu também me sinto livre para o defender (era o que mais faltava, não poder fazê-lo à minha vontade). Não por ele (com quem tenho uma relação meramente circunstancial), muito menos por mim (que não recebo um cêntimo do clube, nem de ninguém a ele ligado) mas pelo Benfica, e por achar que, não existindo no terreno qualquer alternativa credível a esta gestão, todo o clima de contestação que alguns procuram agora alimentar apenas serve para fazer sorrir… Jorge Nuno Pinto da Costa.
ANEXO 1: artigo publicado no jornal "O Benfica" da passada sexta-feira
"Presidentes
Sendo o futebol um fenómeno de massas, e sendo estas propensas a reacções epidérmicas, não se estranha que, após uma derrota – mesmo que induzida por factores alheios -, a contestação floresça, atingindo naturalmente as figuras cimeiras dos emblemas derrotados. O Benfica, como maior clube português, não escapa a esses fenómenos, e as últimas semanas têm-no demonstrado. As minorias contestatárias não têm poupado ninguém, evidenciando com isso os efeitos do desalento e da frustração, mais do que qualquer ponderação sensata. O presidente Luís Filipe Vieira tem sido um dos alvos, a meu ver de forma totalmente injusta, e até ingrata. O Benfica é de todos os sócios, e ninguém está acima do seu escrutínio. Não podemos, porém, confundir a crítica construtiva, com uma ilusória subversão dos factos. Deixemos de lado todo um património de recuperação institucional, de construção de infra-estruturas, de profissionalização e credibilização do clube, de dinamização de projectos de grande relevo, que tem de ser creditado ao nosso presidente. Ignoremos, por momentos, também as ocorrências que têm condicionado a verdade desportiva. Limitemo-nos a falar de resultados. Só 4 presidentes, dos muitos que a história do Benfica já conheceu, foram mais vezes campeões de futebol do que o actual: Borges Coutinho, João Santos, Maurício Vieira de Brito e Adolfo Vieira de Brito. Com mais um título, Luís Filipe Vieira igualaria estes três últimos, ficando apenas atrás de Borges Coutinho (que ostenta a impressionante marca de 7 campeonatos). E se considerássemos todas as competições futebolísticas, Luís Vieira estaria já destacado na 2ª posição com 7 troféus, contra 10 do mesmo Borges Coutinho. No que respeita ao eclectismo, apenas João Santos e Luís Filipe Vieira alcançaram títulos europeus em duas modalidades distintas. João Santos, Luís Filipe Vieira e Borges Coutinho, foram também os únicos a triunfar em campeonatos de 7 diferentes modalidades.
São apenas alguns números, que convém não ignorarmos."
ANEXO 2: Troca de mails com Alberto Miguéns, publicada no seu blogue