31/05/12

APV EM CHEIO

"No espaço de poucos dias, Pinto da Costa referiu-se ao Benfica, sem o nomear (o simples facto de o nomear parece que lhe queima a língua) como sendo “o clube do tempo do fascismo”, e chamou “burros” aos benfiquistas, sem nunca os nomear (a sigla do clube só é usada quando os adeptos e jogadores precisam de se animar com uns cânticos onde chamam nomes às mães dos adeptos do clube dos mouros), a propósito da nomeação de Pedro Proença para apitar a final da Champions. O país não se indignou. A imprensa desportiva assobiou para o lado. O estatuto de impunidade dá o direito a PC de insultar quem quer, de caluniar quem lhe apetece e de incitar ao ódio e à violência sem que ninguém o incomode.
Uns dias depois, no Dragão Caixa, o Benfica sagrou-se campeão de basquetebol, vencendo com dificuldade mas com mérito um adversário de grande qualidade, o que deu mais brilho à vitória. No final de um jogo em que o árbitro não interferiu no resultado, os treinadores cumprimentaram-se, como mandam as regras do fair play.
Mas, quando o jogo acabou, a culminar um clima de insultos e intimidação, os ânimos dos adeptos do FCP exaltaram-se. Agrediram os jogadores, levando a que a polícia não conseguisse garantir a ordem e a segurança e que a Taça fosse entregue ao vencedor nos balneários. Ao que se diz, Carlos Lisboa, treinador do Benfica, não terá resistido a responder às provocações e aos insultos com um gesto menos elegante. Tanto bastou para que o chefe do FCP entrasse no ringue e virasse o ónus da violência para o clube vencedor (como fizera com os famosos túneis da Luz), e vituperasse o comportamento da polícia que tentou, em vão, meter os adeptos do FCP na ordem.
No dia seguinte, Luís Filipe Vieira decidiu finalmente responder ao chefe do FCP num discurso duro, pondo em relevo factos que são conhecidos da opinião pública. O que fizeram a maioria dos comentadores (incluindo alguns que se dizem benfiquistas!)? Meteram tudo no mesmo saco: os insultos de PC e o discurso de LFV, o gesto de CL e a violência dos adeptos do FCP. O medo impera. E o servilismo também.
"

António-Pedro Vasconcelos, no Record

UM PRIMEIRO ESBOÇO

GUARDA-REDES - Artur, Mika e Oblak
DEFESAS - Maxi Pereira, Luisão, Garay, Rojo, André Almeida, Miguel Vítor, Roderick e Luís Martins
MÉDIOS - Javi Garcia, Witsel, Aimar, Bruno César, Nolito, Matic, Salvio, Carlos Martins e Ola John
AVANÇADOS - Cardozo, Rodrigo, Nélson Oliveira, Yannick, Melgarejo e Hugo Vieira

Vender: Wass, Jardel, Emerson, Capdevila, Gaitán, Saviola e Kardec

29/05/12

INFLUÊNCIAS

O treinador que melhores resultados alcançou na história da Selecção Nacional, acaba de revelar um dos segredos do seu sucesso: a independência face aos tentáculos do polvo portista.
Foi assim, sem interferências de Pinto da Costa, que chegamos à melhor classificação de sempre em Europeus, e à segunda melhor em Mundiais.
Com a saída de Felipão, pela mão de Queiroz, e a encomenda de terceiros, chegaram novamente os Betos, os Rolandos, os Varelas, os Castros, os Serenos, os Miguéis Lopes, Paulos Machados, os Vieirinhas, os Orlandos Sás, os Ruben Micaeis, os Nuno André Coelhos, os Dudas, os Nuno Espírito Santos, e todos aqueles que, nas devidas alturas, convinha valorizar – ou desvalorizar, como aconteceu também com João Moutinho, em 2010.
No último Mundial, foi o que se viu. E a qualificação para o Euro quase ficou comprometida. Agora, creio que a coisa melhorou, mas talvez não ainda o suficiente.
Por mim, vou tentar abstrair-me de tudo isto. Vou fazer por confiar em Paulo Bento, e na sua verticalidade. Vou acreditar, ingenuamente ou não, numa Selecção em que todas as opções são apenas técnico-tácticas.
Não voltarei a falar deste tema, nem de jogadores seleccionados ou não seleccionados, até ao fim do Europeu. Agora, vou simplesmente torcer por Portugal.

O ROSTO DA PROVOCAÇÃO

Foi preciso haver tumultos para podermos ver, no Porto Canal, os jogadores do Benfica a festejar o título de Basquetebol. Na transmissão directa, nem um simples abraço pôde ser visto.
Serviram-se então das imagens para tentar atribuir a culpa da violência generalizada ao treinador Carlos Lisboa, só porque este, depois de mais de uma hora a levar com insultos, provocações, cuspidelas e ameaças, comemorou de forma mais efusiva, e terá dito qualquer coisa como “toma!”, fazendo gestos que uma larga maioria dos presentes nas bancadas seguramente nem viu.
Na verdade, o Benfica já havia conseguido mais dois títulos de Basquete no pavilhão do FC Porto, e em nenhum deles pôde receber a taça de forma normal, não se sabendo que gestos ou palavras terá então feito e dito o técnico da altura. E nem quero imaginar o que teria acontecido se, há dois anos, aquando do título de futebol, os festejos dos comandados de Jorge Jesus tivessem acontecido em pleno Estádio do Dragão, no jogo que o Benfica acabou por perder por 3-1. Teria morrido gente? Teria tido início uma guerra civil? Certamente não se ficariam por apagões de luz, nem ligações de rega. Então, os culpados seriam provavelmente uns anónimos agentes de segurança que, no túnel da Luz, uns meses antes, teriam dito a Hulk e a Sapunaru qualquer coisa como “embrulha!”. E se não dissessem, era a Águia Vitória que tinha voado demasiado perto das cabeças dos Super Dragões, em clara atitude provocatória a carecer de duras represálias, ou outro argumento esfarrapado de idêntico quilate. É como violar uma rapariga só porque a descarada teve a suprema ousadia de nos brindar com um sorriso. Provocou! Estava a pedi-las! Nem sequer sorriu? Então quem a mandava usar aquele decote?
Quem quer arranjar argumentos deste tipo, arranja-os para tudo.
É habitual dizer-se que nestas situações não há inocentes. Eu continuo a defender que há uma distinção clara: enquanto em Lisboa ocorrem casos muito mais individualizados e de certa forma anárquicos (e, já agora, normalmente punidos), no Porto existe uma espécie de milícia que parece actuar de forma metódica, organizada e impune. Além de que o tipo de ódio de uns e outros é substancialmente diferente (só não vê quem não quer), tendo, a norte, uma forte componente de sectarismo regionalista – que o alimenta e o agrava.
Independentemente do que possamos teorizar sobre isso, há outra verdade que me parece factual: o ódio e a violência foram trazidos para o desporto português por Pinto da Costa, com a sua atitude permanentemente guerrilheira, e, ela sim, amplamente provocatória (embora haja quem lhe chame ironia). Acredito que esse ódio e essa violência irão desaparecer quando o actual presidente do FC Porto desaparecer também. Espero cá estar para o confirmar.
Portanto, se alguém quiser encontrar um culpado dos incidentes do Dragão Caixa, e de todos os outros que têm ocorrido nas últimas décadas (desde emboscadas na A1, a produtos tóxicos nos balneários, a espancamento de autarcas, a agressões a jornalistas e técnicos, a cânticos insultuosos, a arremesso de bolas de golfe, corrupção na arbitragem, intimidação de atletas, etc), é bastante fácil. Ele tem um rosto, e tem um nome. É o denominador comum de todos esses episódios. É a causa primeira e última de todos eles. Chama-se Jorge Nuno Pinto da Costa, o provocador cimeiro deste país.

LÁ, PRENDEM OS CRIMINOSOS

Itália, país de grande beleza e muitos contrastes, volta a estar envolvida em escândalos de corrupção futebolística. Tal como por cá, velhos hábitos nunca se perdem. Até as cores são parecidas. O vermelho e verde nas bandeiras, o azul do futebol corrupto.

Uma diferença, porém, revela-se novamente de forma clara: lá o crime vem com castigo.

Por cá, reina a impunidade, e prevalece uma caricatura de justiça, em que 90% dos cidadãos não acreditam, e que, mais do que qualquer dívida, nos envergonha enquanto país europeu.

28/05/12

INSÍPIDO


Num jogo insonso, sonolento e sem qualquer motivo de interesse, Portugal não foi além de um nulo frente à modéstia Macedónia.
Este tipo de testes não é conclusivo (aliás, a Alemanha até perdeu). Mas se o objectivo passava também por ajudar a criar uma onda de entusiasmo em redor da equipa, aí o fracasso foi total.
Pode dizer-se que algumas opções do seleccionador (que continuo a apreciar, embora nem sempre esteja de acordo com ele), e até, de certa forma, a própria conjuntura do grupo de seleccionáveis, não ajuda a puxar pelo público. Por exemplo, o facto de nenhum jogador do Benfica ser titular, deixa desde logo seis milhões de portugueses (a maioria) um tanto alheios, não ao destino da selecção, mas ao afecto que noutro contexto ela lhes mereceria. Falo por mim: torço por esta selecção, desejo-lhe o melhor, mas quando olho para os seus intérpretes, não vejo, na maioria dos casos, ídolos com que as minhas simpatias se identifiquem. Pelo contrário, vejo até muitas caras de que manifestamente não gosto (não necessariamente do FC Porto, pois até aprecio, por exemplo, João Moutinho), o que não acontecia nos tempos de Rui Costa, João Pinto, Figo, Nuno Gomes, Simão, Pauleta, Paulo Ferreira, Jorge Andrade, Maniche, etc, ou antes, de Nené, Chalana, Humberto Coelho, Bento, Jordão, Jaime Pacheco, Sousa e Fernando Gomes (para referir jogadores de todos os clubes). Muitos pensarão como eu.
Nada disto justifica, porém, os assobios que, uma vez mais, se ouviram em Leiria. Em tempos, Gilberto Madail chegou a dizer que a selecção iria repensar a hipótese de jogar naquela cidade. O que é certo é que, já sem ele, voltou a fazê-lo, e voltou a não ter o apoio que merecia.
Não tenho nada contra Leiria, mas trata-se de uma cidade que não gosta de futebol. O exemplo do clube da casa é bem revelador, sendo normalmente aquele que menos espectadores levava ao estádio. Sou insuspeito para escrevê-lo, mas se o segundo jogo de preparação (eventualmente com Eduardo na baliza, e Nélson Oliveira no centro do ataque) se jogará na Luz, este primeiro (com Beto na baliza, Rolando na defesa e Quaresma a titular) poderia muito bem ter sido jogado no Dragão. E, sendo justo, acredito que o apoio dispensado fosse substancialmente maior.
Com mais ou menos afectos, no sábado lá estarei, sentado nas bancadas, a manifestar um voto de apoio à selecção do meu país.

25/05/12

EM BOM PORTUGUÊS!


“O que se passou no Dragão é uma vergonha para o desporto, para o país, uma vergonha para as instituições desportivas. Só não é uma vergonha para quem não tem, nem nunca teve vergonha na cara. O que alguns fizeram ontem, mas também na véspera do jogo, foi demasiado grave para ficar impune. E ainda têm a lata de falar de apagões? Quando a sua história foi marcada por fruta, corrupção e compadrio? Têm a lata de falar de verdade desportiva quando o seu sucesso foi construído com base na maior mentira do desporto português? O sistema ainda não acabou. O sistema de hoje continua construído na intimidação, na violência, nos favores. As nossas razões podem não chegar à UEFA, como não chegaram as “escutas da fruta”, como não chegaram para a justiça portuguesa as “escutas do café com leite”. Mas nós não vamos parar enquanto não limparmos o desporto português. Burros não são os que acreditam na mudança. Burros são os que acreditam que isto nunca vai mudar, os que acreditam que a impunidade vai durar para sempre. Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da actuação da polícia quando esta os avisa que tem de fugir para não serem presos. Na vida como nos livros: um ladrão não deixa de ser ladrão por declamar poesia, um ladrão não deixa de ser ladrão por ir ao Papa. Um fugitivo da justiça não o deixa de ser apenas porque alguns juízes decidiram assobiar para o lado! Alguns muros já caíram, mas não vou descansar enquanto houver árbitros, delegados e dirigentes que tenham medo, que se sintam condicionados por ameaças e represálias. Não vou descansar enquanto algumas federações continuarem a ter medo de agir com liberdade”.

LUÍS FILIPE VIEIRA, na recepção à equipa Campeã Nacional de Basquetebol.

24/05/12

À BENFICA...E À PORTO

Este é um espaço dedicado ao Futebol. Tal não significa, porém, que a minha paixão desportiva se limite ao desporto-rei. Pelo contrário, sou um grande adepto de quase todas as modalidades, em particular das que o Benfica pratica, mas também de outras como o Ténis, o Automobilismo ou, sobretudo, o Ciclismo.
Esta noite jogava-se a “negra” do Campeonato de Basquetebol. Confesso que, depois da derrota do último domingo na Luz, não esperava muito desta Final. Talvez fosse esse também o sentimento, mas pela inversa, daqueles que encheram o pavilhão do Dragão - entre os quais Pinto da Costa e o seu staff mais chegado (incluindo, por exemplo, Vítor Pereira).
Depois de um jogo de nervos muito mais emotivo do que bem jogado, de uma vantagem encarnada de doze pontos a meio do terceiro período, e de um palpitante 53-54 a quatro segundos do fim, o Benfica levou à melhor (53-56), conquistando o terceiro Campeonato em quatro temporadas, e o 23º da sua história.
A vitória, para além da importância que tem em si mesma (e da grande alegria que me deu), significa também um valente pontapé no sentimento de fatalidade que começava a apoderar-se da família benfiquista. Tanto na época passada, como na corrente, muitas foram as ocasiões em que os encarnados viram a sorte fugir-lhe nos momentos de decisão, quer no Futebol, quer nas restantes modalidades. Desta vez, sob grande pressão, num ambiente de terror, e com a desvantagem psicológica de ter perdido em casa, o Benfica foi…Benfica, e trouxe o caneco para Lisboa.
Depois, foi a vez do FC Porto ser…FC Porto. Obviamente ninguém lhes pedia para ficar a assistir à festa do Benfica, e o mais natural era abandonarem o pavilhão (seria o que eu faria, se acontecesse na Luz). Mas ali joga-se outro campeonato. Joga-se o campeonato dos complexos de inferioridade provinciana, que nenhum resultado, nem positivo (e tantos têm tido…), nem negativo, consegue apagar das mentes. Na hora da derrota, não é pois tristeza ou desânimo que ali se vive. É ódio, é raiva, é fúria, e é tudo o que a mesquinhez consegue provocar, e que nem com vitórias se dissipa.
O Benfica não pôde receber o troféu no campo. É para o lado que dorme melhor. Recebeu no balneário, festejou no balneário e, depois, na chegada a Lisboa. Ao FC Porto ficou a triste figura dos seus adeptos, e, sobretudo, do seu presidente – visivelmente de cabeça perdida no fim da partida.Desta Final, fica também uma polémica envolvendo a transmissão televisiva. A Federação acordara com a Sport Tv. O FC Porto impôs a Porto Canal. Foi mais divertido assim. É certo que se esforçaram por nem sequer mostrar um abraço que fosse entre jogadores do Benfica após o jogo, focando apenas as caras de jogadores e técnicos portistas, antes de saírem rapidamente de cena. Mas viver uma vitória destas trazida pelo olhar, e pela voz, dos rivais, até sabe melhor.

23/05/12

UM DESPORTISTA

Mesmo num ambiente tão hostil como por vezes é o das rivalidades futebolísticas, há pessoas que, estando do outro lado, conseguem ainda assim cativar o respeito, e até a simpatia. Manolo Vidal era uma dessas pessoas.
Grande sportinguista, soube defender a sua causa - com competência e sabedoria - respeitando sempre os adversários, e deixando uma imagem de serenidade, educação e desportivismo.
Infelizmente não deixa muitos seguidores. Mas deixará saudades, mesmo àqueles que tinham paixões diferentes da sua.

TABELA DE PREÇOS


OS NÚMEROS DE UMA FARSA

"Terminado que está o Campeonato Nacional de Futebol, a desilusão reina entre os benfiquistas. O principal objectivo da época não foi atingido. O título voltou a fugir-nos, depois de se insinuar, durante semanas, no nosso horizonte.
Perante a decepcionante realidade, diferentes tipos de reacção se observam. Uns choram as lágrimas da sua genuína amargura. Outros procuram exorcizar frustrações, disparando culpas para cima de quase toda a gente. É a natureza humana que, particularmente no mundo da bola, onde todas as emoções são levadas ao extremo, se manifesta nas suas melhores, e piores, facetas. Cabe agora aos cronistas dissecar os motivos que levaram a este desfecho. Houve erros próprios, que não podemos iludir, e que deveremos saber corrigir dentro da nossa casa, com serenidade, e sem pressões nem dramatismos exagerados. Mas há uma verdade que nenhum observador isento poderá agora vir negar, e nenhum benfiquista poderá esquecer: este Campeonato foi, em larguíssima medida, manipulado pelas arbitragens, que nos momentos decisivos nos puxaram pelos pés, levando outros ao colo.
É assim há mais de vinte anos. Já estamos de certo modo habituados. Tão habituados que até achamos normal, e exigimos aos nossos profissionais que se sobreponham a esse obstáculo - como se ele não existisse, como se ele não fosse suficientemente opaco para os impedir de chegar mais longe, e de nos oferecer mais alegrias. O futebol é sempre analisado em cima dos resultados. Quem ganha, leva tudo. Para quem perde, fica apenas a desilusão, e por vezes a revolta. O FC Porto foi campeão, e é isso que vai constar dos arquivos da história. Poucos se irão lembrar das portas e travessas por onde este título passou. Ninguém irá reconhecer mérito aos perdedores, mesmo sendo eles, neste caso, apenas vítimas de uma perseguição ignóbil e desenfreada.
Resta-nos a memória. E para isso deixo aqui um número: 24. Vinte e quatro penáltis por marcar a favor do Benfica. Em 24 ocasiões, os árbitros não viram, ou não quiseram ver, infracções dentro da área dos nossos adversários. É demais, para uma só época, para tão só trinta jornadas. Deixo aqui a referência a todos esses lances. Dariam para um filme. O filme de uma mentira. Não nos deixemos enganar por ela.
2ª J, c/Feirense: agarrão a Nolito;
4ª J, c/V.Guimarães: corte com a mão junto à linha de fundo, com o resultado a zero;
5ª J, c/Académica: corte com a mão dentro da área a remate de Bruno César;
7ª J, c/P.Ferreira: falta sobre Aimar aos 44 minutos, derrube a Matic, e corte com a mão;
10ª J, f/Sp.Braga: falta sobre Luisão na sequência de um canto;
17ª J, f/Feirense: corte com a mão, falta sobre Rodrigo, e empurrão a Javi;
19ª J, f/V.Guimarães: pontapé no pé de Rodrigo;
20ª J, f/Académica: corte com a mão de Cedric aos 7 minutos, e rasteira a Aimar aos 57 minutos; 22ª J, f/P.Ferreira: agarrão a Javi logo no início, derrube a Bruno César, e duas faltas sobre Nélson Oliveira nos minutos finais;
24ª J, f/Olhanense: empurrão a Javi, agarrão a Cardozo, e corte com a mão de Toy;
26ª J, f/Sporting: rasteira a Gaitán logo no primeiro minuto, e agarrão a Luisão ainda na primeira parte;
28ª J, f/Rio Ave: empurrões a Cardozo e Saviola, ambos nos últimos dez minutos.
São estes os lances que referi, 17 dos quais ocorridos a partir do momento em que nos viram com 5 pontos de vantagem. Não são todos claros. Alguns seriam passíveis de diferentes interpretações. Mas muitos – seguramente bem mais de metade -, constituíram erros grosseiros de quem tinha por missão fazer cumprir as regras. E, juntamente com outros lances (fora-de-jogo de Maicon, penálti de Emerson em Braga, etc) desvirtuaram o Campeonato, fabricando um campeão que não merecia sê-lo. Não adianta queixarmo-nos do treinador, das opções tácticas, ou dos falhanços deste ou daquele jogador. Muito menos dos dirigentes, e de uma ou outra contratação. Em condições normais, com verdade desportiva, teríamos sido campeões, com este treinador, com este plantel, e com esta direcção. E essa é uma verdade que jamais poderemos ignorar na hora de fazer o balanço a esta triste temporada."

LF no jornal "O Benfica" da última sexta-feira

21/05/12

EM DEFESA DO BENFICA

Em resposta a um artigo que escrevi no jornal “O Benfica”, onde chamava a atenção para o facto de Luís Filipe Vieira, ao contrário do que possa parecer aos mais desatentos, figurar já entre os presidentes que mais conquistas desportivas alcançaram para o clube, Alberto Miguéns, benfiquista que muito prezo, apresentou no seu blogue um texto onde, com critérios diferentes, chegava a números, também eles, ligeiramente diferentes, procurando depois, a partir deles, extrair outras conclusões.
O critério que segui foi simples: verifiquei as datas de entrada e saída de cada presidente no site oficial do clube, conferi quem estava em funções a cada mês de Maio (fim dos campeonatos), e assim segmentei os títulos ganhos pelo Benfica.
Os números a que cheguei são os que se seguem:
BORGES COUTINHO 7 títulos (1969, 1971, 1972, 1973, 1975, 1976 e 1977)
JOÃO SANTOS 3 títulos (1987, 1989 e 1991)
ADOLFO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1964, 1965 e 1968)
MAURICIO VIEIRA DE BRITO 3 títulos (1957, 1960 e 1961)
LUÍS FILIPE VIEIRA 2 títulos (2005 e 2010)
Há mais quatro presidentes do Benfica com dois títulos conquistados, mas Luís Filipe Vieira é o único que ainda pode melhorar a sua conta, pelo que será lícito destacá-lo aqui em 5º lugar.

O que eu disse no artigo do jornal foi basicamente que, com mais um campeonato ganho (que bem poderia ter sido este…), o actual presidente do Benfica ficaria apenas com Borges Coutinho à sua frente. E lembrei também que, a par de João Santos, era ele o único a conseguir títulos europeus em duas modalidades distintas (este em Hóquei e Futsal, aquele em Hóquei e Atletismo), e juntamente com o mesmo João Santos e com Borges Coutinho, os únicos a vencer campeonatos de sete modalidades diferentes (Vieira já foi campeão absoluto de Futebol, Andebol, Basquetebol, Voleibol, Futsal, Atletismo e Judo).
Alberto Miguéns considera que os títulos devam ser atribuídos, não aquando da última jornada, mas aquando da jornada da conquista matemática do título. É um critério respeitável (embora dê bastante mais trabalho…), que permite retirar um título a Borges Coutinho e outro a Maurício Vieira de Brito, adicionando-os a Adolfo Vieira de Brito e a Joaquim Ferreira Bogalho. Não é isso que ele pretende demonstrar, mas o certo é que, por este critério, Luís Filipe Vieira seria, não um dos quintos, mas um dos quartos presidentes com mais campeonatos de futebol ganhos na história do Benfica - teria então à sua frente apenas Borges Coutinho, Adolfo Vieira de Brito e João Santos, por esta ordem, como mais triunfadores. Em suma, o seu diferente critério não traria conclusões muito diferentes do sentido geral daquelas que eu tirei.
Mas o meu amigo Alberto Miguéns defende também que esta é uma estatística que não resulta rigorosa quanto ao mérito de cada um em cada título. Não podia estar mais de acordo com ele, e digo desde já que, da minha parte, não estou em condições para avaliar os méritos de cada presidente do Benfica de 1977 para trás, coisa que só ele, com todo o imenso conhecimento que tem da história do Benfica, poderá fazer. O balanço que fiz apenas pretendia desmistificar a ideia de que Luís Filipe Vieira é um presidente perdedor, pois no balanço global ganhou mais do que muitos outros.
Também concordo em absoluto com ele quando diz que os títulos não são dos presidentes. De facto não são. São do Benfica e dos benfiquistas. Mas um mau presidente não conquista títulos, e infelizmente, o Benfica já teve exemplos disso.
Alberto Miguéns termina dizendo que Luís Filipe Vieira foi o presidente que perdeu mais campeonatos. Não contesto os seus números, nem me darei ao trabalho de fazer as contas. Mas, se os méritos dos que ganham são por vezes condicionados por circunstâncias diferentes, os que perdem também têm atenuantes diferentes. E todos nos lembramos em que Benfica pegou Vieira. De resto, pelas mesmas contas, Fernando Martins perdeu tantos campeonatos como Vale e Azevedo, e os serviços prestados por um e por outro ao Benfica não têm ponta por onde comparar.
Uma coisa é certa. Nos dois campeonatos que ganhou, o mérito de Vieira (e naturalmente de jogadores e técnicos que ele escolheu) é inegável.
Por fim, Alberto Miguéns termina afirmando que “não devemos ser mais papistas que o papa”. Ora, defender um presidente em funções não é sinónimo de “ser mais papista que o papa”, nem de “lambe-botismo”. Como cada um é livre de criticar o presidente, eu também me sinto livre para o defender (era o que mais faltava, não poder fazê-lo à minha vontade). Não por ele (com quem tenho uma relação meramente circunstancial), muito menos por mim (que não recebo um cêntimo do clube, nem de ninguém a ele ligado) mas pelo Benfica, e por achar que, não existindo no terreno qualquer alternativa credível a esta gestão, todo o clima de contestação que alguns procuram agora alimentar apenas serve para fazer sorrir… Jorge Nuno Pinto da Costa.

ANEXO 1: artigo publicado no jornal "O Benfica" da passada sexta-feira
"Presidentes
Sendo o futebol um fenómeno de massas, e sendo estas propensas a reacções epidérmicas, não se estranha que, após uma derrota – mesmo que induzida por factores alheios -, a contestação floresça, atingindo naturalmente as figuras cimeiras dos emblemas derrotados. O Benfica, como maior clube português, não escapa a esses fenómenos, e as últimas semanas têm-no demonstrado. As minorias contestatárias não têm poupado ninguém, evidenciando com isso os efeitos do desalento e da frustração, mais do que qualquer ponderação sensata. O presidente Luís Filipe Vieira tem sido um dos alvos, a meu ver de forma totalmente injusta, e até ingrata. O Benfica é de todos os sócios, e ninguém está acima do seu escrutínio. Não podemos, porém, confundir a crítica construtiva, com uma ilusória subversão dos factos. Deixemos de lado todo um património de recuperação institucional, de construção de infra-estruturas, de profissionalização e credibilização do clube, de dinamização de projectos de grande relevo, que tem de ser creditado ao nosso presidente. Ignoremos, por momentos, também as ocorrências que têm condicionado a verdade desportiva. Limitemo-nos a falar de resultados. Só 4 presidentes, dos muitos que a história do Benfica já conheceu, foram mais vezes campeões de futebol do que o actual: Borges Coutinho, João Santos, Maurício Vieira de Brito e Adolfo Vieira de Brito. Com mais um título, Luís Filipe Vieira igualaria estes três últimos, ficando apenas atrás de Borges Coutinho (que ostenta a impressionante marca de 7 campeonatos). E se considerássemos todas as competições futebolísticas, Luís Vieira estaria já destacado na 2ª posição com 7 troféus, contra 10 do mesmo Borges Coutinho. No que respeita ao eclectismo, apenas João Santos e Luís Filipe Vieira alcançaram títulos europeus em duas modalidades distintas. João Santos, Luís Filipe Vieira e Borges Coutinho, foram também os únicos a triunfar em campeonatos de 7 diferentes modalidades.
São apenas alguns números, que convém não ignorarmos.
"


ANEXO 2: Troca de mails com Alberto Miguéns, publicada no seu blogue

...E A TAÇA TEM MAIS ENCANTO

Não vi o jogo, coisa que agora lamento. Mas foi obviamente com alegria que soube da vitória da Académica na Taça de Portugal.
Do outro lado estava o Sporting, além de que, como quase todos os portugueses, tenho uma costela a pender para a simpática e histórica “Briosa”. Não estudei em Coimbra, mas conheço o seu encanto. Forma para mim, juntamente com Guimarães e Évora, o trio das melhores e mais belas cidades do país. Nesta final, sabia muito bem de que lado estava.
Pelo que vi no resumo, a Académica teve mais e melhores oportunidades para marcar. Já ao longo da temporada havia ganho 3-0 ao FC Porto, empatado no Dragão, com o Sporting, com o Sp.Braga e com o Benfica. Mostrou uma vez mais ser uma equipa talhada para jogar com os grandes.
O Sporting, depois de muito prometer, depois de muito investir, fica de mãos a abanar. Foi-se o Campeonato, foi-se a Taça da Liga, foi-se a Liga Europa, foi-se a qualificação para a Champions, e por fim, quando ninguém esperava, até a há muito anunciada Taça de Portugal – na qual teve tudo a seu favor.

SPORTING XXI

Uma colecção de DVD’s sobre o Euro, tem-me obrigado a comprar o Record quase todos os dias. Numa das últimas edições, um artigo pretendia demonstrar que o Sporting estava melhor que o Benfica, pois desde o ano 2000 tinha conquistado mais troféus, incluindo Taças e Supertaças. Podiam ter-se lembrado de fazer as contas aos últimos dez anos. Fizeram a doze, incluindo assim os dois já longínquos títulos nacionais conquistados por Inácio e Boloni, quando Jardel, João Pinto, Acosta e outros ainda jogavam, e quando o Sporting estava – então sim – num melhor momento que o seu vizinho e rival, ainda a debater-se com as consequências do valeeazevedismo.
Nos últimos dez anos, o Benfica tem oito troféus e o Sporting quatro (o último deles em 2008). O Benfica tem dois campeonatos e o Sporting nenhum (vai no segundo maior jejum da sua história). O Benfica tem cinco presenças na Champions (dois quartos-de-final) e o Sporting três.
Comparações com o FC Porto, dispenso-as. Mas quanto à rivalidade lisboeta, nem a boa vontade do Record me faz esmorecer.

INESPERADA CONSAGRAÇÃO

Pode discutir-se a beleza do futebol deste Chelsea, mas a sua eficácia é assinalável.
Defendendo sempre bem, contra-atacando apenas quando necessário, já tinha sido assim que os homens de Di Matteo haviam eliminado Benfica e Barcelona. Agora, na final, em terreno adversário, resistiram uma vez mais a todas as circunstâncias do jogo, levando uma taça que há muito procuravam.
Não é uma equipa que fique na história do bom futebol, mas tem qualidades inegáveis: um poderio físico impressionante, uma vasta experiência competitiva, e um dos melhores pontas-de-lança do mundo. Ganhou bem. O jogo, e o título.
Torci pelo Chelsea. Apesar da forma como o Benfica foi eliminado (duas arbitragens deploráveis nas duas mãos), estes alemães não me despertam simpatia. Ao ver o Bayern lembro-me de Merkel, e ao ver Merkel lembro-me de gente ainda pior. Wagner não merece, Kant não merece, Kirchner não merece, mas a sua grandiosa pátria, impondo respeito a todos, cativa efectivamente muito poucos. Além da história destas finais em casa de um dos finalistas também me fazer torcer o nariz. Haviam ainda David Luíz, Ramires e alguns portugueses. Também a simpatia e humildade do técnico italiano. Por fim, o prestigiante facto do Benfica, com este desfecho, ter sido eliminado pelo campeão europeu – como, de resto, havia acontecido em 2006. Muitas razões para me sentir reconfortado, após uma longa e emocionante maratona de futebol e penáltis.